sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Das viagens

Viajar é das melhores coisas a se fazer. Deslocar-se a lugares novos, levar nosso olhar estrangeiro a novas paisagens, provar novos sabores, ser um pouco como o outro desconhecido. Estou prestes a fazê-lo e ansiosa por isso. Mas é sobre outro tipo viagem que quero falar: das viagens aos lugares que não conhecemos em nós mesmos e de como renascemos (ou terminamos de nascer) por conta delas. Sou uma tia em gestação e esta viagem já começou.

Pensava que me tornaria tia no momento em que o visse fora da barriga e, mais ainda, quando o carregasse pela primeira vez. Mas com seu pequenino tamanho ele foi me provando o contrário. A cada centímetro que cresce, a cada grama que ganha, a cada dedinho que desponta - e que agora já se movem todos - o dia brilha mais, fica mais bonito, o mundo muda. Não há lógica nessa proporção entre o espaço físico que ocupa - ainda tão guardadinho na barriga – e o tamanho da sua presença. Ele ainda nem sabe, mas já nos moveu e nos deslocou de uma forma que nenhum de nós já fez ou imaginou ser possível, de uma maneira que nenhuma outra viagem é capaz de fazer. Junto com ele, somos todos embriões e estamos todos esperando pelo seu nascimento e pelo nosso também.

O parto sempre faz nascer muito além de uma pessoa. Minha irmã dará à luz ao seu filho e fará nascer com ele a mãe, o pai, os avós, as tias e tios. Ela dará à luz a um mundo inteiro que está em gestação pela diminuta presença grandiosa de alguém que já ressignificou quem somos e como será a nossa vida dali em diante: ele se chama Felipe.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

De lo que no sé

o "Das profundidades"

Tras haber imaginado lo que vendría, de intentar huir, me encuentro atrapada entre el tiempo que se me ha escapado y el tiempo que no quiero encontrar. Aplastada, sin moverme, sin aliento. Un animal sometido y sorprendido por la trampa cruel en que se ha puesto a si mismo.

¿Por qué? No lo sé.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Das (não) batidas do coração

ou "My heart missed a beat"

Não lembro mais quando foi a primeira vez, mas creio que já fazem mais de dez anos. Meados da adolescência, provavelmente. 
Uma pontada, um ar que falta, um ar que volta, o coração acelera. 
Essa sequência de quatro tempos acontecia uma vez, no máximo duas vezes por ano. Tornou-se habitual. Quando acontecia, pensava "Já aconteceu este ano. Agora, só no próximo". Era certo. E era discreto. Silencioso. Na maioria das vezes aconteceu quando eu estava sozinha ou, quando em público, a atenção não estava centrada em mim. Quatro tempos de pausa, quatro tempos para o coração desacelerar, uma respirada profunda e era como se nada tivesse me acontecido. O mundo ao redor não parava. Era uma pausa dentro, que só eu sentia. 

Este ano foi diferente. Estava acompanhada e foi menos discreto. 
Uma pontada funda, um ar que falta, um ar que falta, um ar que falta...Um ar que volta difícil, o coração acelera muito. 
Ele viu e foi difícil fechar os olhos. Foi muito visível, na verdade. Perdi o fôlego, perdi a batida. Nem diástole, nem sístole: o coração esqueceu por um segundo de pulsar. Ou então perdeu o ritmo. Diástole puxou de um lado, sístole tentou do outro e nessa falta de harmonia, nenhuma das duas conseguiu fazer seu som. E esse erro poderia ter sido fatal. Desarmonia é sempre fatal. Aprendera desde criança nas aulas de dança...

O ano ainda está na metade e mais uma vez, aconteceu a sequência. Apresentando variações, como não poderia deixar de ser neste ano tão atípico (por tantos motivos que talvez eu não tenha mesmo passos para acompanhar tal ritmo).
Pontada, pontada, pontada, um ar que falta, um ar que falta, o coração acelera e uma dor fica. Desce pela costas e costelas, fica no peito, dói o ombro, o estômago enjoa, um medo que surge. 
Ele viu novamente. Assustou, encheu os olhos d'água. Teve medo. Tive medo. Segurou a minha mão. Entendeu o meu choro.

Este seria aquele parágrafo em que eu revelaria a metáfora, que é o que tudo isso poderia ter sido. São muito bonitas - apesar de clichês - essas figuras de linguagem que falam de como a vida é plena quando perdemos o ar, quando o coração acelera...Até mesmo aquelas em que a tristeza é descrita como uma dor pungente no peito, daquelas do tipo Elis Regina. Porém, hoje não tem poesia. Hoje o que tem é medo de acordar amanhã e ligar para o médico para agendar consulta. 

Mas fiz promessa, olhando nos olhos. Não se falta com uma promessa. Ainda que me falte a batida.




quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dos rios

ou “Like a bridge over troubled water”*

Era bem cedo. As ruas descendendo e serpenteando como um rio. De paralelepípedos. Era tão claro que nem parecia tal hora da manhã. Chamam esse lugar de Rio de Janeiro.

O mar passou por cerca de uma e meia pelos meus olhos, chegando até a fazê-los fechar para a boca sorrir. Ao chegar ao fim da linha, avistei o caminho que levava ao infinito, ao sem limite. Não era o fim. Apesar do sol - um pouco padrasto, um pouco pai – e das pedras – um pouco mãe, sussurrando cuidado, um pouco traiçoeira, esperando o passo em falso, nessa certeza dura de sol e pedras traçando firmemente suas fronteiras, tocavam-me as retinas o azul, o verde e o areia: entrelaçando-se sem traços, os tons comprovavam o inesperado, o sublime perene que apequenou minha alma diante de tal grandeza. E ao apequenar-me, senti a plenitude do feto ligado ao cordão umbilical, que tem tudo. Religar.

Entretanto, como em todo momento de epifania há a ruptura de um desconhecimento. Uma inocência se quebra, uma leve melancolia emerge. E tudo me atravessa. Muda. Até a pedra que enfrenta o mar, feia e áspera, até o sol que, soberano, não se permite olhar nos olhos. Mudam. Atravessam. Entrecruzam-se. Tudo é rio.

Assim conta-me o vento fresco e brando, acariciando-me a pele, enquanto selvagem penteia meus cabelos à sua maneira. Malandro e sábio ele me diz: - Não há margens.

(Mas nessa vida, nesse rio, em que tudo é travessia, eu não quero passar)

*música de Simon and Garfunkel

terça-feira, 12 de abril de 2011

Das permanências

ou "Das coisas suspensas"
ou ainda, “Cuando te pones cursi es irresistible”*

Hoje não vou te escrever. Não te enviarei mensagens de boa noite, não telefonarei. Não vou pensar e nem falar em você. Vou permanecer. Permanecerei neste lugar vazio, neste ambiente suspenso (cheio de nada, cheio de tudo): pleno, ajeno. Não estarei nem em você e nem mim. Estarei nesta terceira via, neste lugar que criamos (ou que nos criou?), de onde surgem, de onde surgimos (emergimos?) irresistíveis, indeléveis, inimagináveis, impossíveis.

(terceiro sinal, as luzes se acendem e a música começa)

Cruzam-se as mãos, fundem-se os olhares, cai a chuva. No se lo puede nombrar, pero lo podemos vivir. Vivemos. Neste cenário invisível que só os sentidos podem captar. Não vou descrever, não vou relembrar. Quero permanecer nesta captura, no recorte poético que escolhemos (ou que nos coube?) fundar. Cursi. E por isso somos e estamos.

Assim te rio gostoso despida de qualquer instância: 
 -O trovão é forte. O ar é pouco. 

*Do filme "Nueces para el amor".

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Casa

Segundo o dicionário online Priberam o primeiro significado dado a palavra casa é este: Nome genérico de todas as construções destinadas a habitação. (http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx).
As terríveis notícias dos últimos dias me impulsionaram a escrever essa postagem que estava engavetada no meu cérebro esperando por outra data para ser publicada, mas dada as circunstâncias decidi escrevê-la.
Estou me referindo aos desastres naturais da região serrana do Rio de Janeiro e também das demais regiões atingidas pelas fortes chuvas no Brasil.
Eu lamento profundamente a perda de tantas vidas, mas para quem ficou o sofrimento apenas começou. Além de terem de lidar com a ausência dos familiares terão de superar a dor de terem perdido suas casas.
Eu não faço idéia do que é sobreviver a uma inundação ou um deslizamento, mas eu sei bem o que é ficar sem casa.
Há quase dois anos eu e minha família tivemos de desocupar nossa casa por questões judiciais que não convém detalhar, é algo muito complicado, uma história de filme dramático!
Isso não seria problema, se tivéssemos pra onde ir, mas não tínhamos! Mendigamos um lugar pra ficar pra muitos parentes e amigos, além disso, precisávamos levar nossos pertences que não eram poucos! Ouvimos muitos nãos e sins sem vontade, mas uma tia resolveu receber uma parte de nós, pois minha família é numerosa, somos em 6 adultos!
O que não queríamos aconteceu, tivemos de nos separar. Quatro de nós fomos pra casa da tal tia, a saber: meu pai, minha mãe, meu irmão e eu. Faltavam minhas duas irmãs que foram recebidas pelas famílias dos seus respectivos noivos.
Depois de oito meses aquela frase popular que diz que uma casa não pode ter duas donas começou a se mostrar muito real pra nós e principalmente pra minha mãe. A relação estava insustentável na casa da minha tia e saímos de lá. Fomos recebidos por outra tia e ali permanecemos mais 4 meses. Fazendo a soma: 1 ano sem casa! Até que em fevereiro de 2010 conseguimos alugar um imóvel e reunimos a família novamente.
Eu entendo quando as pessoas se recusam a abandonarem suas casas porque a Defesa Civil assim orienta, só quem viveu a experiência de estar na casa dos outros é que sabe o quanto é difícil você interferir na rotina de outra família e ter interferências e palpites de outras pessoas na sua vida.
Você ao mesmo tempo que enche o saco dos seus primos e tios o seu também vai sendo enchido gradualmente! Imaginemos a dificuldade que é ser recebido por estranhos, por voluntários...
O dicionário comporta um significado incompleto para essa palavra: casa. Desde que o homem teve a idéia de cercar um canto de terra e chamá-lo de "meu" as coisas se complicaram! É muito mais do que uma construção física que serve pra habitação. É a exteriorização das nossas próprias identidades, é parte constitutiva do nosso eu e por isso, perder a casa em qualquer que seja a circunstância que contrarie nossa vontade é perder uma parte de si.
Muitas de minhas memórias estão ligadas aquele local. Foi a parte que ficou, pois essa a oficial de justiça não pôde lacrar!
Sem casa o cidadão perde 50% dos seus direitos, afinal de contas se você não comprova residência fixa, salvo se você for índio ou cigano você é visto como mendigo, favelado, morador de rua... e esses rótulos vêem recheados de outros rótulos e dessa forma a sociedade nos classifica e nos arquiva no banco de dados dos estorvos sociais!
Eu me solidarizo para com essas pessoas rejeitadas socialmente e sei que foi por um milagre que não fomos parar na rua! E vejo como é fácil você chegar a condição de morador de rua, basta não ter família que estenda a mão!
Sou muito grata aos que ofereceram ajuda! Desde aqueles que puderam receber apenas nossos pertences até os mais solidários que dividiram as suas casas conosco. Mas não há nada melhor do que estar em minha casa, ainda que não seja de fato minha, mas é aqui que já imprimi e imprimo minhas marcas novamente!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dos sentimentos regentes

...ou "Es como ver bailar a Fred Astaire: parece tan fácil".*

Algumas pessoas são governadas pelo ódio. Outras, pelo amor ou ainda, pela oscilação que os reforça mutuamente. Há os que se flagelam pela culpa e também os que tem como bússola o próprio umbigo, sem remorso ou compaixão. Eu sou regida pela vaidade, sempre ela, em todos os lugares.

Quando você me olha demoradamente eu me envaideço, pelo teu olhar de contemplação diante desse "rabbit hole" que são meus olhos. Ou quando você me chama de "meu anjo", porque ser anjo é algo muito bonito tanto na carne, quanto no espírito. Quando me pede um beijo. Quando entrelaça os seus dedos nos meus. Quando adormecido se volta para mim e me abraça, de um jeito intenso e leve. Quando rimos juntos ou quando, muito juntos, descansamos depois de nos cansarmos bastante. Sinto-me envaidecida e arrisco dizer que você sente o mesmo.

Para alguns é possível classificar tudo isso de outros modos, seguindo uma superficial (e nem por isso, não verdadeira) taxonomia dos sentimentos humanos. Não sigo estas leis e nem sei se sou capaz de fazê-lo. Contudo, dentro na minha humana necessidade nomear, chamo de vaidade o meu Norte.

(Nomear é evocar, é aproximar, é dar existência. Por isso dizer nomes é algo tão perigoso)

*Do filme "O filho da Noiva".

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um quarto só pra mim

Sou fruto de uma família numerosa e feliz! Minha relação com minhas duas irmãs e meu irmão é muito boa, somos amigos, nos ajudamos e até emprestamos dinheiro um ao outro para que vocês possam entender o nível de cumplicidade, companheirismo e bem querer.
Nessa última sexta-feira nos "despedimos" da nossa irmã caçula, a Nicole. Contrariando a lei natural da vida que diz que os mais velhos devem se casar primeiro ela deixou nossa casa e família para formar a sua. Entrou na igreja com um largo sorriso e não derramou uma lágrima sequer, essas porém, ficaram por minha conta. Acabei com a minha maquiagem, mas não pude evitar, me controlei até que não consegui conter a alegria de vê-la tão linda, feliz e realizada. Então, meus olhos foram se enchendo, enchendo... e buáaaaaaaaa... quando a abracei ela me disse com uma voz doce: "Paty, pára de chorar, está estragando toda a sua maquiagem". Eu lhe respondi que chorava de felicidade, pois tenho certeza de que ela será muito amada, respeitada e cuidada pelo meu cunhado Bruno.
Ainda não me dei conta de que não a teremos mais em casa todos os dias, pois as suas coisas ainda estão aqui. Além das coisas pessoais dela, o nosso quarto está repleto de presentes. A mudança só será feita quando ela voltar da lua de mel.
Eu sempre quis ter um quarto só pra mim, mas vejo como será dura essa conquista. É claro que eu terei a companhia da minha irmã mais velha, a Pérola, mas sentiremos saudades das conversas nas madrugadas, das risadas, das falas sonâmbulas da Ni, do cheiro do hidratante que ela usa e dos seus espirros matinais por conta da renite! Nosso time estará desfalcado.
Em agosto a Pérola também fará o mesmo caminho e de fato terei um quarto só meu.
Agora vejo que depois de muito tempo compartilhando esse espaço a identidade que criei é do "nosso quarto" e não do "meu quarto". Terei de me adaptar! E construir algo novo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanço, auditoria e retrospectiva.


Estamos chegando ao final de mais um ano... começo com essa frase clichê, mas não há outra forma de começar essa postagem. Desculpem-me! E fim de ano é um período em que ouvimos e lemos por aí essas três palavrinhas que dão título ao meu texto!
Eu não sei muito bem o que é balanço, mas acho que essa palavra está relacionada com a área contábil, assim como auditoria. Resumindo o complexo conceito de auditoria, as empresas contratam profissionais que fazem uma investigação fiscal, são eles que analisam os gastos, os recursos que entraram, e dessa forma, apontam as falhas da empresa e dão um parecer ao dono. O patrão por sua vez, sabendo onde estão os erros poderá corrigí-los e melhorar o desempenho do seu negócio no ano que começa.
A outra palavra, retrospectiva, caiu na fala popular graças a uma certa emissora que tem um programa com tal nome. Trata-se de trazer de volta às nossas vistas as principais notícias do ano em questão. Em pouco mais de uma hora temos diante dos nossos olhos o resumo anual em imagens e palavras.
Involuntariamente ou não acabamos adotando os mesmos procedimentos para as nossas vidas quando o mês de dezembro vai chegando ao fim.
Hoje enquanto eu voltava para minha casa a pé do Centro de São Caetano fiz minha retrospectiva mental. Foram muitos acontecimentos que não cabe aqui divulgar, pois isso não é um diário!
Mas me dei conta que eu preciso também fazer um balanço e ser meu próprio auditor e assim emitir um juízo da minha vida nesse 2010 e apontar a mim mesma as saídas para os erros encontrados.
Então, nesse penúltimo dia do ano vou fazer uma lista dos meus sucessos e fracassos e traçarei os próximos projetos com as falhas já corrigidas. E dessa forma, acredito de fato que terei um Feliz Ano Novo!

domingo, 21 de novembro de 2010

Das dificuldades

...ou "Este livro apertado nas estrelas da boca."*

Eu tenho a mania do improvável. Talvez não seja essa a melhor palavra para expressá-lo, mas é sobre isso exatamente que quero falar.
Certamente falar não é a melhor palavra para expressá-lo, mas usamos "fala" também para a palavra escrita.
É sobre a palavra escrita que quero escrever e escrever é o oposto de falar: diante das letras é preciso calar.
(o meu desconcerto é quando as palavras se calam para mim)

Tenho estado nesta quietude abismal, gritando em silêncio, oposta à página em branco.

E é tanto que pulsa,
tanto que punge,
tanto que aperta nas estrelas da boca.
E o silêncio. E a página em branco.

E eu nessa rotação: em um dos extremos, eu com meu silêncio; no outro, a página em branco. A página em branco descrevendo o meu silêncio. E o meu silêncio sentindo-se não-descrito por essa página em branco.
O meu corpo no meio, sendo e sem-ser o eixo dessa rotação. Querendo girar. Querendo exceder o limite que essa rotação circunscreve. Querendo fazer girar. Querendo traçar outros traços que não sejam a palavra, porque as palavras estão caladas e é difícil fazê-las falar. Querendo girar.

Este calar tão gritante das palavras... Mas palavra também não é a melhor palavra para descrever essa latência, foi apenas o meio deveras intrincado, é preciso dizer, que escolhi para expressá-lo. Essa coisa de dar nome, forma, grafia: escrever...

Este livro apertado nas estrelas
da boca, estrelas.
Aderentes fechadas. Por fora
leves às vezes, presas.
Para eu batê-las durante o tempo.
Eterno, o tempo. De uma onda maior que o nosso
tempo. O tempo leitor de um. Autor.
Ou um livro e um Deus com ondas de um mar
mais pacientes. ―
                         Ondas do que um leitor devagar.*

...ou o improvável: nomear esse pronome átono recorrente.
Era sobre isso que eu dizia.


*HELDER, Herberto. "Para o leitor ler de/vagar". In: Lugar, 1962

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Outubro ou nada! NADA

Não postamos nada em outubro! Isso me fez lembrar o nome de uma das festas da USP! A esperança se renova a cada início de mês!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Setembrudo

Minha mãe sempre fala que agosto é o mês do desgosto. Olha só aí, ninguém postou nada em agosto...mês chato pra burro! Ainda bem que agosto dura 30 dias..ou 31, nunca sei, mas o que vale é que acaba.
Garotas, bons ventos trazem setembro, assim espero!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Das cerimônias

...ou 'es que jamás conseguiré que esta cama tenga un aspecto presentable'*

Tenho algo por cerimônias (I have a thing for ceremonies...). Sempre me emocionam, com todos seus símbolos e passagens, que decodificamos pela memória secular que carregamos e que nos carregam sabe-se lá para que lado. Talvez goste dos ritos por serem o último elo com a tradição quebrada pela perturbadora modernidade. Mas se temos a memória das cerimônias e elas ainda são capazes de legitimar nossos papéis sociais, será que rompemos de fato com o mundo arcaico? Ou ainda, até que ponto conseguimos nos distanciar e quais seriam, então, os pontos de continuidade entre a humanidade secularizada e homem individualizado?

Tenho algo por transcedências. Transcender limites, padrões, papéis...divorciar-se do estabelecido, do esperado, do ritualizado. Entretanto, existem as cerimônias e elas me tocam e me são fundamentais, porque não é apenas sobre ultrapassar fronteiras particulares: é sobre fazê-las e ser condecorada, receber a benção, o aplauso e o título. Entro, portanto, em conflito com o encantamento positivista e, principalmente, com a mulher do século XX, oscilando entre o conforto da conformidade e o desejo pela ruptura. É tão fácil ser parabenizada, ser olhada com a aprovação de ter cumprido o dever, encerrado todos os ritos. Enquanto que o julgamento silencioso recebido ao fazer uma cama de forma indigna beira o aterrorizante.

Isso porque lançamos esse mesmo olhar sobre nós mesmos, em algum grau. A consciência que nos acompanha até nos lugares mais inóspitos e reprova ou nos lembra da reprovação que receberemos.

Essencialmente, acho que tudo isso tem a ver é com vaidade. Talvez, se não fosse por isso, eu nunca desejaria que esta cama tivesse um aspecto apresentável. Mas o desejo. E é provavelmente isso que me faz ter algo por cerimônias...a vaidade, sempre ela.


*CORTÁZAR, Julio. Las armas secretas.

sábado, 17 de julho de 2010

Twittando...


Bom, estou twittando agora... era o único site de rede social que eu ainda não tinha experimentado. Quer dizer, não experimentei o My Space porque não pegou no Brasil. Mas estou lá no passarinho agora. Mal entrei fiquei brava. Não consegui carregar a foto e outras informações do meu perfil. E aprendi que a expressão usada quando ocorre um erro é baleiou... Não entendi o porquê da imagem da baleia quando dá o erro e a Robertha (amiga e parceira desse blog) me lembrou que o tal mamífero marinho encalha, por isso é símbolo de sistema travado! Nada mais justo! Mas o símbolo podereia ser o passarinho preso na gaiola ou um estilingue! Enfim: com ou sem baleia, entrei e gostei. E já tenho um seguidor desconhecido! Che paura!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Marmelada?

Oi, genteee!

Olha, hoje eu serei breve. O negócio é o seguinte: se a seleção brasileira perder da Holanda eu ficarei revoltada, pois ficou claro na publicação do anúncio publicitário do Extra, na Folha de São Paulo, que este resultado é o esperado. O detalhe é que o extra é patrocinador da seleção e, apesar do Sr. Abílio Diniz se retratar pelo engano de publicação, isso está parecendo marmelada das boas. Bom, espero estar enganda, pois este fato tira completamente a graça de assistir à copa do mundo ou qualquer outro tipo de competição que envolva grandes interesses publicitários. Se for assim, o único remédio será torcer pros times do bairro, da rua, da escola e esquecer este tipo de atividade lucrativa que se tornou o esporte mundial. O capitalismo é devastador, pois põe tudo à venda. Se eu anunciar hoje que estou vendendo minha mãe é capaz de aparecer alguém pra comprar.
Quem quiser ver o anúncio do extra é só jogar no google "anúncio do extra na folha de SP". Blz?!
bjoo

terça-feira, 29 de junho de 2010

A lenda dos mortos vivos

Olá, Gente Boa!
Aqui vai um trecho alla Roberto Carlos para ilustrar "Eu volteiii agora para ficarrrr, pois aquiii, aqui é meu lugar..e etc porque eu não sei mais cantarr...tralali tralalalá". Bom, é isso! Como vocês devem imaginar, eu, pessoa muito metódica e organizada, redescobri minha senha. Depois deste procedimento exaustivo fiquei pensando se não seria fácil descobrir as senhas dos outros e cometer vários delitos virtuais. Será que já existe punição séria para roubo de senha do e-mail e criação de "perfil fake" no orkut, face e afins? Eu sei que já existe uma parte da polícia especializada em crimes pela internet que basicamente investiga este povo pedófilo, quadrilhas que criam site para roubar senhas de banco e etc...Mas como cada vez mais vivemos conectados aos computadores acredito que esta área da polícia só tende a crescer e futuramente oferecerá várias vagas para mão-de-obra especializada. Ou seja, vamos nos preparar aí comendo muitas rosquinhas e coxinhas em frente ao pc e tomando aqueles cafés naqueles copos bonitinhos tipo Starbucks!
Deixando os crimes de lado e partindo para comunicados importantes. Não, não quero comunicá-los que devido ao atraso de pagamento dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril de 2005 em diante seu serviço de internet está suspenso ( risos), quero comunicá-los que mal comecei e também quero seguir carreira solo. Mas, como a torcida do Corinthians, eu não abandonarei o nosso blog de dança africana. Como assim ninguém sabe que somos uma referência à mamma África? Nunca ouviram falar da umbigada? Portanto, três umbigos é igual a umbigada!
O papo de esquizofrênico tá ótimo, é sempre um grande prazer falar comigo mesma, mas vou indo, blz?! Porque eu sou difícil e sempre tenho que dizer primeiro que preciso ir...até pra mim mesma.
Ah, os mortos vivos estavam vivos ou mortos? Eu que estava morta neste blog agora voltei das trevas e estou bem vivinha...Nossa, como isso foi engraçado! Quase bocejei de tanto rir. Bjo

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ausências

Ana Paula se esqueceu da senha que lhe garante acesso ao blog para escrever novas postagens.
Robertha sofre com o corte da USP Net. E eu.... bom, posso enumerar: primeiro: trabalho, segundo: FarmVille, terceiro: falta de organização.... e ao infinto e além!
Mas não desistimos. Só nos ausentamos por um tempo!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eu leio quadrinhos - Minha história com as HQs


Um tempo atrás conheci um cartunista no Blog dos Quadrinhos. Trocamos alguns e-mails, os contatos do MSN e Orkut e assim nasceu uma amizade e uma admiração recíproca. Certa ver, o Flávio pediu para que eu contasse como comecei a ler quadrinhos e enviei um texto por e-mail em um tom bastante informal, descontraído e irônico. Ele publicou sem mexer no meu texto no seu blog, se quiserem conferir na primeira fonte está aqui: http://verbeat.org/blogs/222/2009/06/minha-historia-com-as-historias-em-quadrinhos.html

Agora tomo a liberdade de deixar registrado aqui também esse texto, fiz algumas correções necessárias e modifiquei certos parágrafos para encurtá-los!


Pois é..... minha história com os quadrinhos tem idas e vindas.... Minha mãe foi uma grande fã dos quadrinhos Disney. Quando se casou levou os poucos que conseguiu salvar das garras dos irmãos e da mãe (que jogaram praticamente toda a coleção fora quando ela e meu pai ainda estavam na lua de mel) para casa. Mas até eu nascer eles já eram... Sou a segunda filha de uma ninhada de quatro!
Meus pais sempre gostaram de ler, convivi entre livros e revistas. Meu pai desenhava, trabalhava como um designer hoje: estampava tapetes, painéis, galerias de cortina... Coisas que muita gente nem sabe que existe... Estão fora de moda! Ele trabalhava para duas empresas também já extintas, a Chic e a Jô Tapetes, participou de muitas UDs, a feira de Utilidades Domésticas que ocorre sempre no Anhembi. Em uma das edições dessa tal feira ele conheceu o Maurício de Sousa que o convidou para trabalhar, mas meu pai recusou porque na época era a vez do Snoopy e sua turma dominarem o mercado infantil, nem se falava em Turma da Mônica, eles tinham um aspecto meio monstrengo ainda. Mas o conteúdo já era muito bom, tá aí “As tiras clássicas da Turma da Mônica” que não me deixa mentir. Nenhuma mãe queria ver estampado em um painel de lona a cara estranha da Mônica, Cebolinha... E hoje olha só! Salve Maurício!
Estava tudo indo muito bem nos negócios do meu pai até que um tio o convidou para administrar uma fazenda no interior de SP, fomos para Cachoeira Paulista, Vale do Paraíba, quase chegando no RJ! Terra de Lobisomem, Curupira, Saci-Pererê... nada de HQ! Era o fim do mundo, minha mãe, amante fanática de Sampa, quase pirou no início, mas depois se acostumou com a vida selvagem e hoje nutre um saudosismo cego por esse tempo, vai entender, Freud deve explicar... Voltemos...
Lá eu estava protegida de todo mal que a civilização moderna poderia me oferecer: TV e videogame (Master System, Atari), meus primos já tinham esses ancestrais do Play Station!
A TV não pegava, só com uma super antena parabólica, pois a fazenda fica em uma região muito baixa, foram muitas tentativas, mas meu pai acabou desencanando... Nosso contato com o mundo se dava por meio da Voz do Brasil e quando meu tio ia nos finais de semana nos visitar, ele levava os jornais antigos que assinava, Folha de São Paulo e Estadão. Foram acumulando pilhas e pilhas deles... Eu levava para a escola rural que estudei, muito carente de recursos, nós usávamos para recortar palavras, na época eu já lia as tiras, muitas não entendia, mas só aquele formato já me fascinava!
Com o tempo, meu tio trazia junto com os jornais tudo o que eles consideravam lixo: livros do ano anterior dos meus primos, revistas e finalmente quadrinhos, muito super-heróis e Disney! Eu lia tudo o que me vinha às mãos e o material sempre se renovava, pois meus primos consumiam muito, algumas revistas vinham na embalagem, nem tinham aberto, era o auge dos álbuns de figurinha também!! Meu passa tempo, principalmente à noite quando não tinha nada pra fazer, era ler isso tudo!
Depois começou a chegar a Turma da Mônica e virou um vício até hoje....
E assim cresci, lendo o "lixo" dos outros...

Quando fui para a quinta série tivemos de nos mudar parcialmente para a cidade de Lorena, mais próxima da fazenda. A escola rural oferecia escolaridade só até a quarta série. Alugamos uma casa e ficávamos ali durante a semana, nos finais de semana íamos para o mato!
A cidade tinha uma biblioteca muito boa, melhor que a biblioteca municipal daqui de São Caetano do Sul hoje. Tinha um acervo de gibis muito bacana, eu ia toda semana, podia levar pra casa, assim dividia minhas leituras entre a série Vaga-Lume (li quase tudo), as leituras obrigatórias da escola e gibis.
Mas a melhor coisa de morar na cidade foi poder comprar material novo, ter o prazer de entrar na única banca da cidade e folhear as revistas novas, escolher a que eu queria comprar. Eu não podia me dar ao luxo de comprar muitas, não tínhamos uma vida folgada financeiramente, por isso eu dava muito valor no que eu adquiria, mais pelo valor simbólico, meu pai havia ralado um bocado para que eu pudesse ter aquele material.
Levar Turma da Mônica pra escola era como levar maconha hoje, mas éramos corajosos e trocávamos no intervalo! Acho que todo mundo que curte Hq fez isso um dia!!
E assim terminei o Ensino Fundamental. Fiz vestibulinho para entrar em uma escola específica de magistério que tinha em todo o Estado de SP, o CEFAM. Como em Lorena não tinha, fui estudar em Guaratinguetá, cidade vizinha.
O semestre acabou e eu descobri que meu tio estava vendendo a fazenda, criar gado leiteiro não dava o lucro que ele queria ter, a fazenda era auto sustentável, mas pra ele não estava bom...
Voltamos pra São Paulo, mais precisamente pra São Caetano do Sul e fui transferida para o CEFAM de São Bernardo do Campo.
A qualidade do ensino dos CEFAMs era excelente, tive professores maravilhosos, se não fossem as suas críticas infundadas às HQs seriam ainda melhores!! Muitas discussões eram voltadas à questão da leitura, os quadrinhos eram vistos como uma praga pelos professores e eu como uma leitora ficava me perguntando se de fato eram mesmo, afinal, a mim não tinham prejudicado, mas eu estava ainda longe de conseguir defendê-los... lia em silêncio, às escondidas! No terceiro ano descobri que a mãe de uma colega de classe trabalhava no Diário do Grande ABC e por conta de um convênio assinava a Turma da Mônica, nas horas do almoço, pois estudava em período integral (das 7:00h às 18:00h), líamos muito a turminha, quase a sala toda compartilhava de um silêncio que só era rompido com uma gargalhada ou às vezes com um sorriso mais tímido.... Era bem legal... Os professores quando viam criticavam, perguntavam se estávamos lendo o que eles haviam mandado para estarmos desperdiçando tempo... E foi assim também no quarto ano, pois a Bruna estudava comigo novamente.
Formei-me em 2000, fui dar aula para Educação Infantil onde os quadrinhos são bem vindos, mas não existe nenhum trabalho específico com eles, as crianças pegam na biblioteca o que mais chama a atenção, pois nem sabem ler!
Parei de dar aula, pois não estava conseguindo pagar cursinho com o que ganhava e fui trabalhar em uma fábrica de bijouterias aqui em São Caetano.
No Singular conheci o Paulo Ramos, era meu professor de gramática, algumas vezes eu chegava mais cedo e o via lendo quadrinhos, mas o foco era passar na FUVEST e o pouco tempo livre que tinha eu precisava dividir entre namorado e livros de "verdadeira literatura". Isso foi em 2002.
Entrei na USP em 2003 e ali comecei a ter contato com leitores de HQs, sobretudo nos ônibus, as famosas linhas que nos levam para dentro da Cidade Universitária estão repletas de leitores de quadrinhos, muito mangá, Sandman... Foi ali que comecei a migrar para os álbuns adultos. Descobri que a nossa biblioteca tinha um pequeno acervo e o Orkut me mostrava que alguns dos meus amigos também gostavam do gênero, benditas comunidades em comum! Então eu pegava muito álbum emprestado, estava descobrindo esse mundo...
Em 2006 o Paulo criou o Blog e ali comecei a me informar mais sobre esse universo! Já conhecia os outros sites também, mas as resenhas do Paulo são fundamentais para que eu decida se comprarei ou não o álbum. Acho o trabalho dele muito bom e imparcial, ele aponta “defeitos” e qualidades, vou lá, vejo com meus próprios olhos e decido pelo sim ou pelo não!
Esse é meu atual estágio na evolução, consumidora de quadrinhos! Adoro as tiras, as cômicas, sobretudo!
Também gosto dessas séries mais inocentes, que satisfazem o gosto das meninas, Bone, Os pequenos guardiões, Tintim... Não curto mangá, não sei, nenhum enredo me pegou por enquanto!
Leio Fábulas também e gosto do Moore... Na USP vou às reuniões do Observatório de Quadrinhos que acontecem uma vez por mês, muito boas!

Enfim, entrei na onda e não sairei mais!

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O Flávio também fez uma ilustração que me representa quando era pequena com base em uma foto que enviei pra ele que tomo a liberdade de reproduzir aqui.

terça-feira, 25 de maio de 2010

FOGO!


Quero fazer um diálogo com a postagem da minha amiga Robertha. Quando criança eu também gostava de ouvir histórias como qualquer ser humano saudável! E esse gosto permanece muito vivo em mim. Na fazenda não tínhamos televisão, então nosso único contato com a civilização se fazia através de um aparelho de som. Bastante moderno até para a época, tocava fita, disco e sintonizávamos as poucas rádios AM e FM que pegavam dada a distância da cidade mais próxima, Lorena, a 30 Km. Meu pai ouvia a Voz do Brasil e depois podíamos ouvir o que quiséssemos. Minha infância foi embalada como a de qualquer criança nascida nos anos 80: Menudo, Xuxa, Dominó, Michael Jackson, trilhas sonoras das novelas da Globo, Roberto Carlos por influência materna e claro, muita música sertaneja que aprendemos a ouvir e com o tempo a gostar por ser um ritmo de preferência local, não havia como fugir. Eu não estava muito preocupada com que ouvia nesse momento, na verdade eu esperava a hora em que minha irmã mais velha e os adultos da casa desocupassem o território para que eu pudesse ouvir uma coletânea de discos de histórias infantis que tenho até hoje. Eu ouvia um após o outro todos os dias, mas os preferidos eram Chapeuzinho Vermelho e o Patinho Feio, cujas narrações eu decorei e elas ocupam uma parte tão sedimentada da minha memória que sou capaz de contá-las como estão no disco ainda hoje!
Meu pai e minha mãe também me contavam histórias ou as liam pra mim, mas depois de alfabetizada me virava sozinha.
Eu tinha muitos livros infantis ganhados de um casal de tios que eram os proprietários da fazenda, também lia muito quadrinho (esse gênero ganhará uma postagem especial).
Eu estudei em uma escola rural, mas havia feito pré-escola em São Caetano durante uns 6 meses. Em 1989, quando eu cursava a primeira série em uma sala que funcionava ao mesmo tempo a primeira e a segunda série com uns 10 colegas apenas, eu fui alfabetizada em 40 dias, contam meus pais com muito orgulho. Já tentei lhes explicar que não há mérito nenhum meu nesse processo, mas não quero entrar nessa abordagem pedagógica agora. Eu me lembro com riqueza de detalhes como foi que aconteceu o reconhecimento desse código escrito e como essas letrinhas passaram a fazer sentido pra mim. A professora (Ângela o nome dela) pediu para que pegássemos um livro pra levar pra casa. Eu escolhia pela capa e pelas ilustrações, mas ao pegar um livro da capa meio amarelada com uns bichos que olhavam para o céu pude ler e entender o título: Fogo no céu. Pronto, estava feito, aquele fogo da capa e do título incendiou também meu coração e minha mente.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu confesso!!!

Bom, faz muito tempo que não apareço por aqui e sou obrigada a concordar com minha amiga e parceira de escrita desse blog, a Ana. Eu confesso, eu sou dependende do FarmVille. Começou por acaso, só para que meus amigos tivessem mais vizinhos e para me distrair um pouco.... entre bées, mús e cococós eu me vi depois em uma pequena chácara que já tinha até mesmo uma casinha, depois um modesto castelo, muitas árvores e agora mais recentemente um cachorro. Eu sabia, não foi por falta de aviso, já tinham me dito que era viciante, mas não pude evitar. Nas horas que me dedico ao meu pequeno latifúndio eu me deleito de emoção, cada bichinho adotado, cada conquista, cada farmhands encontrada é um brilhinho a mais nos meus olhos! Sou eu mesma ali a pilotar os tratores (e olha que na aqui na vida real nem dirijo), a colher os produtos gerados pelos animais, a adubar, plantar e colher. E que tristeza quando uma plantação morre. Meu cachorro fugiu 4 vezes e gastei quase todo o meu FV cash para recuperá-lo, nunca fui muito amante dos animais domésticos, pois prefiro os maiores como os cavalos, mas que aperto no coração quando eu recebia o aviso de que deveria resgatá-lo. Quantos torpedos enviados ao meu irmão para que ele entrasse na minha fazenda e cuidasse dela quando eu não pudia...
Toda essa alegria de brincar de fazendeira tem na verdade uma forte ligação com meu passado que renderia (e renderá) algumas postagens. Eu morei 13 anos em uma fazenda e embora a vida no campo não seja tão romântica como é no FarmVille ali no jogo vivenciamos sim situações semelhantes e emoções muito parecidas também. Palavras de quem já sentiu o cheirinho do bezerrinho instantes depois dele nascer, bebeu o leite tirado direto da teta da vaca e pegou ovos recém botados dos ninhos de galinhas e patas!
Estou na fase 35 do jogo que até agora vai até a 70. Inventarão outras ferramentas para que eu não pare de jogar e nem tenho vontade, é de fato, prazeroso!
Faço uma advertência, não comecem, a experiência é perigosa!
Só não quero mais me ausentar assim do blog ou então postar tão tarde como estou fazendo agora, meu texto deve estar cheio de erros...
Boa noite, ou bom dia sei lá...