quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Setembrudo

Minha mãe sempre fala que agosto é o mês do desgosto. Olha só aí, ninguém postou nada em agosto...mês chato pra burro! Ainda bem que agosto dura 30 dias..ou 31, nunca sei, mas o que vale é que acaba.
Garotas, bons ventos trazem setembro, assim espero!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Das cerimônias

...ou 'es que jamás conseguiré que esta cama tenga un aspecto presentable'*

Tenho algo por cerimônias (I have a thing for ceremonies...). Sempre me emocionam, com todos seus símbolos e passagens, que decodificamos pela memória secular que carregamos e que nos carregam sabe-se lá para que lado. Talvez goste dos ritos por serem o último elo com a tradição quebrada pela perturbadora modernidade. Mas se temos a memória das cerimônias e elas ainda são capazes de legitimar nossos papéis sociais, será que rompemos de fato com o mundo arcaico? Ou ainda, até que ponto conseguimos nos distanciar e quais seriam, então, os pontos de continuidade entre a humanidade secularizada e homem individualizado?

Tenho algo por transcedências. Transcender limites, padrões, papéis...divorciar-se do estabelecido, do esperado, do ritualizado. Entretanto, existem as cerimônias e elas me tocam e me são fundamentais, porque não é apenas sobre ultrapassar fronteiras particulares: é sobre fazê-las e ser condecorada, receber a benção, o aplauso e o título. Entro, portanto, em conflito com o encantamento positivista e, principalmente, com a mulher do século XX, oscilando entre o conforto da conformidade e o desejo pela ruptura. É tão fácil ser parabenizada, ser olhada com a aprovação de ter cumprido o dever, encerrado todos os ritos. Enquanto que o julgamento silencioso recebido ao fazer uma cama de forma indigna beira o aterrorizante.

Isso porque lançamos esse mesmo olhar sobre nós mesmos, em algum grau. A consciência que nos acompanha até nos lugares mais inóspitos e reprova ou nos lembra da reprovação que receberemos.

Essencialmente, acho que tudo isso tem a ver é com vaidade. Talvez, se não fosse por isso, eu nunca desejaria que esta cama tivesse um aspecto apresentável. Mas o desejo. E é provavelmente isso que me faz ter algo por cerimônias...a vaidade, sempre ela.


*CORTÁZAR, Julio. Las armas secretas.