domingo, 21 de novembro de 2010

Das dificuldades

...ou "Este livro apertado nas estrelas da boca."*

Eu tenho a mania do improvável. Talvez não seja essa a melhor palavra para expressá-lo, mas é sobre isso exatamente que quero falar.
Certamente falar não é a melhor palavra para expressá-lo, mas usamos "fala" também para a palavra escrita.
É sobre a palavra escrita que quero escrever e escrever é o oposto de falar: diante das letras é preciso calar.
(o meu desconcerto é quando as palavras se calam para mim)

Tenho estado nesta quietude abismal, gritando em silêncio, oposta à página em branco.

E é tanto que pulsa,
tanto que punge,
tanto que aperta nas estrelas da boca.
E o silêncio. E a página em branco.

E eu nessa rotação: em um dos extremos, eu com meu silêncio; no outro, a página em branco. A página em branco descrevendo o meu silêncio. E o meu silêncio sentindo-se não-descrito por essa página em branco.
O meu corpo no meio, sendo e sem-ser o eixo dessa rotação. Querendo girar. Querendo exceder o limite que essa rotação circunscreve. Querendo fazer girar. Querendo traçar outros traços que não sejam a palavra, porque as palavras estão caladas e é difícil fazê-las falar. Querendo girar.

Este calar tão gritante das palavras... Mas palavra também não é a melhor palavra para descrever essa latência, foi apenas o meio deveras intrincado, é preciso dizer, que escolhi para expressá-lo. Essa coisa de dar nome, forma, grafia: escrever...

Este livro apertado nas estrelas
da boca, estrelas.
Aderentes fechadas. Por fora
leves às vezes, presas.
Para eu batê-las durante o tempo.
Eterno, o tempo. De uma onda maior que o nosso
tempo. O tempo leitor de um. Autor.
Ou um livro e um Deus com ondas de um mar
mais pacientes. ―
                         Ondas do que um leitor devagar.*

...ou o improvável: nomear esse pronome átono recorrente.
Era sobre isso que eu dizia.


*HELDER, Herberto. "Para o leitor ler de/vagar". In: Lugar, 1962

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Outubro ou nada! NADA

Não postamos nada em outubro! Isso me fez lembrar o nome de uma das festas da USP! A esperança se renova a cada início de mês!