Viajar é das melhores coisas a se
fazer. Deslocar-se a lugares novos, levar nosso olhar estrangeiro a novas
paisagens, provar novos sabores, ser um pouco como o outro desconhecido. Estou
prestes a fazê-lo e ansiosa por isso. Mas é sobre outro tipo viagem que quero
falar: das viagens aos lugares que não conhecemos em nós mesmos e de como
renascemos (ou terminamos de nascer) por conta delas. Sou uma tia em gestação e
esta viagem já começou.
Pensava que me tornaria tia no momento em que o visse fora da barriga e, mais ainda, quando o carregasse pela primeira vez. Mas com seu pequenino tamanho ele foi me provando o contrário. A cada centímetro que cresce, a cada grama que ganha, a cada dedinho que desponta - e que agora já se movem todos - o dia brilha mais, fica mais bonito, o mundo muda. Não há lógica nessa proporção entre o espaço físico que ocupa - ainda tão guardadinho na barriga – e o tamanho da sua presença. Ele ainda nem sabe, mas já nos moveu e nos deslocou de uma forma que nenhum de nós já fez ou imaginou ser possível, de uma maneira que nenhuma outra viagem é capaz de fazer. Junto com ele, somos todos embriões e estamos todos esperando pelo seu nascimento e pelo nosso também.
O parto sempre faz nascer muito
além de uma pessoa. Minha irmã dará à luz ao seu filho e fará nascer com ele a
mãe, o pai, os avós, as tias e tios. Ela dará à luz a um mundo inteiro que está
em gestação pela diminuta presença grandiosa de alguém que já ressignificou
quem somos e como será a nossa vida dali em diante: ele se chama Felipe.